Puxar o fio das lembranças
A memória do que aconteceu há cinquenta anos costuma resistir muito melhor do que a de ontem. A reminiscência aproveita isso: em vez de pôr a memória à prova, convida a pessoa a contar o que viveu, que é algo que ela sabe fazer melhor do que ninguém. Estas fichas trazem pontos de partida para essa conversa, em letra grande e uma por folha.
- Lembranças por época: doze perguntas abertas para cada fase. A infância e a escola (a cartilha, a merenda, o pião); os anos 50 (a Copa de 58, a Rádio Nacional, as chanchadas da Atlântida); os 60 (Brasília, a bossa nova, a Jovem Guarda, os festivais da canção); os 70 (o tri, o Chacrinha, a televisão em cores); e os 80 (as Diretas Já, o Ayrton Senna, o Plano Cruzado).
- Objetos de antigamente: ligar cada objeto ao que se fazia com ele: o ferro a brasa, a moringa, o filtro de barro, a vitrola, a enceradeira, a caderneta do armazém…
- Profissões de antigamente: o leiteiro, o amolador de facas, o lanterninha do cinema, a telefonista, o fotógrafo lambe-lambe… e o que cada um fazia.
- Lembranças de uma vida: as perguntas de sempre sobre a cidade natal, o primeiro emprego, as festas e a família.
Como conduzir uma sessão
Em grupo, funciona melhor em roda e em voz alta. Quem conduz lê uma pergunta e deixa que cada um responda do seu jeito; uma lembrança puxa a outra, e é comum a conversa ir longe. As fichas de objetos e profissões são um bom aquecimento: dá vontade de comentar (“Lá em casa tinha um filtro de barro igualzinho!”). Se der, leve um objeto de verdade, uma foto antiga ou uma música da época.
Em casa, as perguntas são um jeito bonito de conhecer melhor a história da família. Vale anotar as respostas ou gravar a conversa: muitos netos agradecem depois. E, se uma lembrança vier triste, não precisa insistir: acolha e mude de assunto com calma.
Um aviso honesto
A reminiscência faz bem ao ânimo, dá voz a quem às vezes fica calado e aproxima as pessoas, o que não é pouco. Mas não há provas sólidas de que atividades assim evitem o declínio cognitivo, e elas não substituem a avaliação nem o plano de um profissional. Contamos tudo, com as fontes, em o que a ciência diz sobre os passatempos (em espanhol).
Mais fichas em letra grande: exercícios de memória, ditados populares para completar, orientação temporal e calendário, atividades de linguagem e as fichas de estimulação cognitiva.